Aldo Luiz
setembro 25, 2026
Do “delulu” ao “circle back”: a Gen Z está mudando o inglês corporativo?
Delulu, no cap, circle back, move the needle: entenda como diferentes gerações estão transformando o inglês no ambiente de trabalho.
Do “delulu” ao “circle back”: a Gen Z está mudando o inglês corporativo?
Imagine entrar em uma reunião e ouvir:
“Let’s circle back on this next week.”
Até aí, tudo bem.
Minutos depois, alguém comenta no Slack:
“That deadline is delulu .”
É inglês nos dois casos. É ambiente de trabalho nos dois casos. Mas quase parece que estamos falando de dois idiomas diferentes.
E essa diferença já começa a aparecer nas pesquisas.
Um levantamento realizado nos Estados Unidos com 2.004 profissionais, metade da Geração Z e metade Baby Boomers, mostrou que 80% dos entrevistados da Gen Z consideram as diferenças geracionais na linguagem profissional um desafio. Entre os Boomers, o percentual foi de 30%. Fortune
O curioso é que a dificuldade acontece dos dois lados.
Enquanto 76% dos Boomers pesquisados disseram não saber o que significa “delulu”, apenas 22% da Gen Z afirmaram entender exatamente “boil the ocean”, expressão tradicional do universo corporativo. Fortune
Então talvez a pergunta não seja apenas se a Gen Z está mudando o inglês corporativo.
Talvez seja:
quem decidiu como devemos falar no trabalho?
De um lado: circle back, synergy, move the needle…
Durante décadas, o ambiente corporativo desenvolveu praticamente um dialeto próprio.
Quem trabalha em inglês provavelmente já encontrou expressões como:
Circle back — voltar a um assunto depois.
Touch base — conversar rapidamente para se atualizar.
Move the needle — produzir um impacto relevante.
Blue-sky thinking — pensar livremente, sem se limitar inicialmente às restrições práticas.
Boil the ocean — tentar fazer algo excessivamente amplo ou complexo.
O problema é que saber inglês não significa necessariamente entender esse código.
Uma pesquisa britânica divulgada em julho de 2026 encontrou um dado curioso: participantes da Gen Z conseguiram explicar corretamente, em média, apenas 5,3 de 24 expressões corporativas apresentadas. United Kingdom
Ou seja: você pode conhecer meeting, deadline e presentation e ainda assim ficar completamente perdido quando alguém pede para put a pin in it.
Do outro: delulu, no cap, rizz…
Agora acontece o movimento contrário.
A geração que cresceu com TikTok, memes, chats, Discord e comunicação instantânea está levando parte desse repertório para outros ambientes.
Delulu, por exemplo, vem de delusional e costuma ser usado de maneira humorística para falar de alguém que escolhe acreditar em algo pouco realista. O termo já aparece inclusive no Cambridge Dictionary. Dicionário Cambridge
No cap significa algo próximo de “sem mentira”, “é sério”.
Rizz está relacionado a charme ou capacidade de conquistar alguém.
E expressões como locked in, it’s giving e ate também passaram a circular muito além das redes sociais.
Isso não significa que você deva entrar na próxima reunião com o CEO dizendo:
“This presentation ate, no cap.”
Contexto continua importando.
Mas a presença desse vocabulário mostra algo interessante: o inglês profissional não vive isolado do inglês que as pessoas usam fora do escritório.
Então a Gen Z está acabando com o “corporate English”?
Não exatamente.
O que parece estar acontecendo é uma negociação sobre o que significa soar profissional.
Uma pesquisa acadêmica da UCLA publicada em 2026 analisou justamente como jovens da Gen Z avaliam elementos mais informais em mensagens profissionais, incluindo emojis, pontuação expressiva e linguagem casual. Os autores observam que esses recursos podem carregar também sinais de proximidade e nuance emocional na comunicação digital. Language DLife
Isso ajuda a explicar por que uma mensagem como:
“Sounds good, thanks! ”
pode parecer perfeitamente profissional para uma pessoa e informal demais para outra.
Não existe apenas uma diferença de vocabulário.
Existe uma diferença de tom, canal e expectativa.
E-mails, Slack, WhatsApp, reuniões presenciais, Zoom e mensagens rápidas criaram contextos profissionais diferentes — cada um com seu próprio grau de formalidade.
O inglês profissional de hoje exige uma habilidade diferente
Talvez a habilidade mais importante não seja decorar todas as expressões da Gen Z nem dominar um dicionário de corporate jargon.
É saber ler o ambiente.
Você pode dizer:
“Let’s circle back tomorrow.”
Em outro contexto, pode ser muito mais natural simplesmente dizer:
“Let’s talk about this again tomorrow.”
As duas frases estão corretas.
A diferença está em entender quem está ouvindo, qual é a situação e como aquela pessoa se comunica.
E isso vale também para gírias.
Entender delulu pode ajudar você a acompanhar uma conversa informal entre colegas. Isso não significa necessariamente incorporá-la ao próximo relatório para a diretoria.
Essa capacidade de alternar registros — do casual ao profissional, do Slack à apresentação, da conversa com um colega à reunião com um cliente internacional — é uma parte importante da fluência.
Fluência não é falar como um livro didático
Essa transformação do ambiente de trabalho revela algo maior sobre aprender inglês.
O idioma que aparece no mundo real está em constante movimento.
Novas palavras surgem. Expressões envelhecem. Memes atravessam a internet e chegam ao escritório. Termos corporativos desaparecem. Outros permanecem.
Por isso, desenvolver inglês para a vida profissional não deveria significar apenas memorizar uma lista de business vocabulary.
Significa conseguir participar da conversa.
Entender quando alguém diz circle back.
Não ficar completamente perdido ao encontrar no cap.
Perceber quando uma expressão é formal, informal, irônica ou simplesmente inadequada para aquele contexto.
E, principalmente, conseguir escolher como você quer se comunicar.
Porque o inglês corporativo pode continuar mudando.
Sua capacidade de entender e se adaptar precisa acompanhar essa mudança.
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Na Alumni, o aprendizado aproxima o idioma das situações em que você realmente precisa usá-lo — da conversa cotidiana ao ambiente profissional.